O Depeche Mode foi formado no verão inglês de 1980, em Basildon, Essex, por três amigos de colégio: Andrew Fletcher , Martin Gore e Vince Clarke. Vince, o vocalista, veio de uma dupla de gospel, contando com uma passagem pelo grupo No Romance in China. Martin era guitarrista em um grupo desconhecido e Andrew, baixista do Boys Brigade. Vince alem do vocal, cuidava da drum machine, Andrew tocava baixo e Martin, a guitarra e o sintetizador. Em pouco tempo resolveram comprar sintetizadores para todos, inspirados nas bandas que surgiam como Gary Numan, Human League e OMD, tendo no Kraftwerk a grande fonte inspiradora.
Só havia um problema: eles sentiram que fazia falta um cantor de peso, que comandasse a parada na linha de frente.
O escolhido foi David Gahan, um ex-punk e estudante de estilismo que conheceram em um pub cantando “Heroes” do David Bowie. David trouxe o vocal forte e afinado e o nome retirado de uma revista francesa de moda, Depeche Mode seria algo como “Moda Rápida”, mal sabia ele que ali estava surgindo um dos maiores e mais duradouros grupos do pop eletrônico mundial.
Foi esse primeiro quarteto que gravou uma fita demo e ofereceu para dezenas de gravadoras recebendo sempre um não como resposta. Um dos últimos a serem consultados foi Daniel Miller, que teve a oportunidade de vê-los abrindo um show para Fad Gadget em Dezembro de 1980 e convidou o grupo para participar de uma coletânea da então recém fundada gravadora Mute Records. O LP tinha o nome de Some Bizarre Album que reuniam grupos novatos, entre eles B-Movies, Blancmange, The Fast Set, The The e Soft Cell. A faixa escolhida foi “Photographic”.
A primeira apresentacao do grupo aconteceu na escola Saint Nicholas onde Martin Gore e Andrew Fletcher estudavam. Logo depois gravaram uma fita demo e enviaram para todos os clubes de Londres onde conseguiram uma vaga para tocar no Bridgehouse Club num evento batizado de “Noite Futurista”.
Pouco tempo depois, em fevereiro de 1981, o grupo lançou o seu primeiro compacto tendo “Dreaming of Me” como faixa principal, alcançando o 57º posto da parada britânica.
Diversos shows aconteceram ao longo do primeiro semestre de 81, incluindo uma honrosa abertura para o Ultravox, colocaram o DM na ordem do dia. Seguiram-se então mais três compactos ate o lançamento do primeiro LP Speak and Spell. O álbum estourou por toda a Europa e chegou aos EUA, entrando para o Top 10 americano trazendo a ultra dançante “Just Can’t Get Enough”, fazendo as pistas do mundo inteiro balançarem ao som do thecnopop. Mas acontece algo inesperado. Vince Clarke resolveu deixar a banda em Dezembro de 81, antes da banda terminar sua primeira grande turne inglesa. Vince passaria então a formar suas bandas Assembly, Yazoo (eternizando hits como “Don’t Go” / “Situation”) e o mega Erasure com Andy Bell.Durante algum tempo o DM seguiu como trio tendo Daniel Miller como help nas apresentações ao vivo, gravando mais alguns compactos e lançando o seu segundo LP, A Broken Frame, em 1982. A partir daí decidem recrutar alguém para ocupar o espaço deixado por Vince Clarke, tarefa que não seria nada fácil, uma vez que Vince era um verdadeiro gênio por traz dos sintetizadores e todo o aparato eletrônico da banda.
Foi através do semanário inglês Melody Maker que conhecem Alan Wilder, que detinha grande conhecimento técnico da tecnologia musical da época e ele passa a integrar o DM nos shows e composições para o terceiro álbum, que a partir de então passa a sofrer profundas transformações com elementos de música industrial (ruídos de trens, martelos, bigornas, maquinas) e uma posição ideológica voltada para as questões políticas, religiosas e sociais daquele momento, mas isso é outra historia…
Construction Time Again, o LP de 83 inaugura uma tomada ideológica na carreira da banda, cuja capa apresenta um operário empunhando um martelo, que faz uma dupla interessante com a camponesa com uma foice na mão, capa de A Broken Frame, o álbum anterior, sugere um flerte com a esquerda socialista européia. O visual também muda radicalmente. De garotos bonitinhos e bem arrumados passam a adotar vestimentas de couro bem agressivos, lembrando muito personagens de filmes sobre a Alemanha pre-nazista. Martin também gostava de usar vestidos e langeries, fazendo a ponte new romantic / radical. O som da banda passa por uma profunda transformação, onde eles adotaram elementos de musica industrial, com ruídos pesados e muito bem estruturados, o technopop dando lugar as experimentações colocam o Depeche entre as dez mais (Top Ten) da parada inglesa emplacando o hit “Everything Counts” e alcançando o sucesso nos países do extremo oriente, indo excursionar no Japão e China.
Some Great Reward, de 84, marcaria ainda mais a guinada de imagem do Depeche Mode. Recheado de letras polemicas como a sadomazoquista “Master and Servant” e “Blasphemous Rumours” que e uma reflexão sobre a religião a partir do suicídio de uma garota causa represálias por parte dos mais conservadores. Alan declararia a imprensa: “…nos não fazemos mais musicas simplesmente para dançar!”. A partir de então Martin Gore passa a voltar suas composições para três assuntos cada vez mais presentes em sua musica: Amor, Sexo e Religião. Em certa ocasião ele declararia a sua fascinação pelos assuntos sado-maso.O ápice do grupo acontece com o enorme sucesso de “People are People”, que atravessa o oceano e faz com que o Depeche Mode alcance os primeiros lugares na parada americana. Segue-se uma coletânea de mesmo nome e mais um single, “Get the Balance Right”.
Em 1985 o grupo resolve dar um tempo das turnes e lançam Catch Up with Depeche Mode, mais conhecido como The singles 81-85 que reúne os seus maiores sucessos ate então e se trancam em estúdio.
No ano seguinte vem ao mundo Black Celebration, para muitos considerado o melhor trabalho do grupo, que foi o primeiro lançado simultaneamente no Brasil, marcado por uma clima “dark” e experimental em varias faixas. Nele o grupo faz questão de provar que estão em franca evolução musical, inclusive pela presença da minimalista “It doesn t matter two”, lembrando muito as obras de Phillip Glass. Destaque para “Black Celebration”, a faixa titulo e “Stripped”. Tamanha a repercussão deste trabalho que na turne americana para promover o disco, os ingressos chegavam a se esgotar 15 minutos após serem colocados à venda.
A popularidade do Depeche Mode ao redor do mundo já era tamanha. Eles descobriram o quanto excitante eram os concertos ao vivo e decidiram levar isso para o estúdio. Certa vez perguntado ao Andrew como se deu o processo de crescimento da banda, ele verbaliza: “No começo, nossos discos eram um pouco leves. Eles pareciam contrastar com nossas performances ao vivo, onde sempre tocamos muito alto. Os shows eram super excitantes mas, quando tentávamos passar isso para o disco não funcionava e ficávamos quebrando nossas cabeças. Acho que depois de certo tempo conseguimos. E isso foi uma mudança importante”.
O conceito que popularidade fica definitivamente estabelecido com o aclamado Music for the Masses, álbum de 87, cuja proposta era levar para os quatro cantos o pop mais sofisticado do planeta. São vários os hits extraídos deste álbum. No Brasil, “Strangelove” e “Never let me Down Again” fizeram um enorme sucesso, sendo exaustivamente tocada nas rádios e nos clubes. Só para se ter uma idéia são inúmeros os remixes feitos para “Strangelove”. Para os contemporâneos dos áureos anos 80 fica sem duvida nenhuma a lembrança das festas onde se podia ouvir este clássico do tehcnopop. Gravado em Paris, MFM reafirma a intenção do grupo em fazer musica pop para as massas, mas sem ser pasteurizado.
O Depeche Mode não para e parte para uma das mais ambiciosas turnes pelos EUA, tocando em inúmeros estados para um publico recorde de mais de meio milhão de pessoas. Eles decidem portanto, registrar isso em forma de filme e contratam D. A. Pennebaker, responsável por filmar grandes nomes como Bob Dylan e o festival Monterey Pop, para a direção do longa metragem. O registro e do 101º show da banda, encerrando assim a mega-turne. Paralelamente, mostra um grupo de jovens que atravessam o pais para ver a apresentação do grupo. 101 foi lançado no Festival Internacional de Berlim e obteve bastante sucesso, principalmente pelo lançamento do álbum duplo de mesmo nome. Nele estão registrados os maiores sucessos da banda ao vivo num só show memorável e inesquecível, com grandes momentos de emoção e uma atuação impecável da banda, culminam no clímax da carreira dos moldes.
Chegamos aos anos 90, com um Depeche Mode mais maduro e envolto de conflitos pessoais “violando” os seus próprios limites…
Após os inúmeros sucessos e mega-turnês que fizeram do Depeche Mode uma das maiores e mais importantes bandas do cenário pop eletrônico mundial, eis que em 90 concebem um dos mais aclamados álbuns de sua carreira, Violator.
“Personal Jesus”, primeiro single alcança o 25º posto da parada inglesa na primeira semana, fato inédito até então. Nos Estados Unidos chegou rápido às primeiras colocações vendendo milhões de cópias e rendendo o disco de ouro. “Enjoy the Silence” estoura nos quatro cantos do planeta, inclusive no Brasil, lota as pistas de dança e vários remixes brotam a partir desta faixa (e até hoje é pista cheia). “Policy of Truth” também obtém um relativo sucesso por aqui. Violator trata-se da síntese de todos os álbuns anteriores, mas desta vez mais solto e bem pop, tendo a eletrônica como expoente máximo.
Mas as coisas passariam a mudar a partir de então. David Gahan se separa de sua primeira esposa, deixando o filho de cinco anos para ir morar em Los Angeles, nos Estados Unidos. Lá ele entra em profunda depressão e cai de cabeça no consumo de drogas pesadas como a heroína. Chegou ao ponto de ser levado às pressas para um hospital vítima de uma overdose e ficou durante dois minutos em coma, quase morto. Martin também enfrentaria um momento muito difícil e passa a fazer uso cada vez mais freqüente de álcool. Lança então um EP sob o título de Counterfeit regravando sucessos dos 80 como “Compulsion” de Joe Crow entre outras. Andrew passa a se dedicar aos negócios pessoais como gerenciar um restaurante em Londres e Alan se tranca no estúdio para produzir artistas do selo Mute Records como Nitzer Ebb e dar seqüência ao seu projeto solo, Recoil (a qual se dedica integralmente hoje).
Tudo indicava que estava decretado o fim de uma das maiores e mais influentes bandas do cenário pop eletrônico quando David Gahan decide dar uma guinada na sua vida. Fortemente influenciado pelo rock alternativo americano, como o Jane’s Addiction, casa-se novamente nos EUA e deixa os cabelos crescerem e as tatuagens se multiplicarem. Nasce a filha de Martin Gore, o que lhe dá novas esperanças e decidem levar o Depeche Mode adiante. Chamam Andrew e Alan e iniciam seus trabalhos, convidam músicos de fora e passam a trabalhar de maneira antes nunca feita na forma de se conceber seus discos.
Em 93 lançam o compacto “I Feel You”, onde vemos um Depeche Mode utilizando instrumentos acústicos e com uma sonoridade mais voltada para o “rock”, deixando todos os seus fans de cabelos em pé. Apesar de causar certo incômodo, esta música chegou ao quinto lugar na parada da Billboard, sendo que durante duas semanas seguidas ocupou o primeiro lugar. Fez também um relativo sucesso por aqui, juntamente com outra faixa, “Walking in my Shoes”.
Neste mesmo ano lançam o álbum Songs of Faith and Devotion (SOFAD), como o próprio nome diz, trata-se de um trabalho com uma grande conotação religiosa e ao mesmo tempo sexual. Surgem novas músicas de sucesso como “In Your Room” e a angustiante “Comndenation”, descrevem bem o que foram os anos turbulentos para o grupo. Nos shows, David expressa-se de maneira a encaixar para sí as letras num misto de sofrimento e redenção, Martin desfila acordes de guitarras que dão o clima denso para as músicas, Alan que já havia praticado e pesquisado percussão e world music, passa a ser o baterista e Andrew coloca os timbres e efeitos eletrônicos. Também acompanham a banda uma dupla de cantoras gospel, que levam para as apresentações ao vivo, assim como músicos convidados. Partem então para uma turnê mundial, a Devotional Tour, passando inclusive pelos países da América do Sul como Argentina e, para alegria e desespero dos fans, tocam no Brasil, em 94 durante uma parte da turnê chamada Exotic Tour.
Fazem parte do espetáculo efeitos e filmagens concebidas por Anton Corbijn, responsável pelos vídeos e todo o aparato visual da banda desde 86. Após a exaustiva turnê, em 95, o Depeche Mode resolve dar uma parada para descanso e acontece algo que afetaria os novos rumos do grupo, Alan Wilder decide deixar o DM e partir para os seus próprios projetos musicais, como produtor de outros grupos e dar total atenção ao seu projeto Recoil…
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Depeche_Mode